Analise primária e secundária

PROCEDIMENTOS GERAIS NO LOCAL DO ATENDIMENTO

TÉCNICA
 
1. Empregar a técnica de “Ver, Ouvir e Sentir”, através da seguinte forma:

a.        Liberar as VAS da vítima através da manobra indicada;
b.        Aproximar o ouvido da boca e nariz da vítima voltando a face para seu tórax;
c.        Observar os movimentos do tórax;
d.        Ouvir os ruídos próprios da respiração;
e.        Sentir a saída de ar das VAS da vítima.

Esta verificação deve durar de 7 a 10 segundos.

ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÊNIO
 
Se a vítima respira instale imediatamente uma fonte de oxigênio (máscara facial ou cateter).
 
Procedimentos Operacionais
 
1. Estabilizar a coluna cervical manualmente, verificar responsividade e verificar permeabilidade das vias aéreas,
2. Ministrar, como primeira escolha, oxigênio por máscara com fluxo de 10 l/min.
2.1. nos casos de vítimas abaixo de 8 anos, ministrar oxigênio por máscara infantil com fluxo de 10 l/min, deixando a máscara afastada cerca de 5 cm da face;
2.2. permitir que os pais segurem a máscara, se for possível;
2.3. permitir que a criança assuma posição confortável, preferencialmente vertical, respeitando as condições nas quais é prioridade o cuidado com a coluna cervical e com a liberação das vias aéreas.
3. Ministrar oxigênio por catéter nasal com fluxo de 3 l/min, quando a máscara não for tolerada.
3.1. para vítimas com idade abaixo de 8 anos, não se utiliza catéter nasal;
3.2. se houver necessidade de realizar assistência ventilatória, conforme, observar o fluxo de oxigênio da Tabela 1.

TABELA 1

Idade

  abaixo de 28 dias entre 28 dias e 8 anos acima de 8 anos

   Máscara

10 lpm 10 lpm 10 lpm
 

Ressucitador manual c/ máscara

3 lpm 5  lpm 10 lpm

(C) Verificar circulação e hemorragias

Apalpe o pulso carotídeo em vítimas acima de 1 ano de idade
 
· No caso de vítimas com idade abaixo de 1 ano, palpar a artéria braquial.
 
Observações
 
Pulso carotídeo palpável indica uma pressão arterial sistólica no mínimo em 60 mmHg;
Pulso femural palpável indica uma pressão arterial sistólica no mínimo em 70 mmHg;
Pulso radial palpável indica uma pressão arterial sistólica no mínimo em 80 mmHg.

Verificar a perfusão capilar na extremidade
 
 
TÉCNICA
 
1. Pressione a polpa digital ou o leito ungueal (unha) e observe o retorno sanguíneo:

PERFUSÃO

MOTIVADOR DE ALTERAÇÕES

Retorna-se em até 2 segundos

Normal

Retorna-se após 2 segundos

Hemorragia intensa

Se não retorna

Choque - PCR

Verificar a temperatura, coloração e umidade da pele na testa da vítima
 
A temperatura normal do corpo é de 36.2 a 36.8 ºC. A pele é responsável, em grande parte, pela regulação desta temperatura, irradiando o calor através dos vasos sangüíneos subcutâneos e evaporando água sob forma de suor.
Uma pele fria e úmida é indicativa de uma resposta do sistema nervoso simpático a um traumatismo ou perda sangüínea (estado de choque). A exposição ao frio geralmente produz uma pele fria e seca.
Uma pele quente e seca pode ser causada por febre, em uma doença, ou ser o resultado de uma exposição excessiva ao calor, como na insolação.
A pele humana é a grande responsável pela regulação da temperatura. Poderá apresentar-se: normal, quente, fria, seca ou úmida.

Utilize o dorso da mão colocada na testa da vítima. Remova parcialmente a luva de procedimento expondo o dorso da mão para a verificação. Observe a face da vítima durante a verificação:

Analise:
 
1. Temperatura e umidade da pele.

TEMPERATURA E UMIDADE DA PELE

MOTIVADOR DE ALTERAÇÕES

Pele fria, pálida e úmida

Perda sanguínea

Pele fria e seca

Exposição ao frio

Pele quente e seca

Insolação

Pele quente e úmida

Hipertermia (febre), intermação

Analise ainda:
 
2. Coloração da pele.
 
A cor da pele depende primariamente da presença de sangue circulante nos vasos sangüíneos subcutâneos.
Uma pele pálida, branca, indica circulação insuficiente e é vista nas vítimas em choque ou com infarto do miocárdio. Uma cor azulada (cianose) é observada na insuficiência cardíaca, na obstrução de vias aéreas, e também em alguns casos de envenenamento. Poderá haver uma cor vermelha em certos estágios do envenenamento por monóxido de carbono (CO) e na insolação.
Alterações na coloração da pele podem indicar patologias (doenças) ou alterações vasculares periféricas decorrentes de traumatismos. Em pessoas de raça negra, a cianose da pele deve ser verificada na mucosa nasal e na parte interna dos lábios.

COR DA PELE

MOTIVADOR DE ALTERAÇÕES

Pálida

Choque hemodinâmico, ataque cardíaco, hemorragia.

 

Cianose (arroxeada)

Deficiência respiratória, arritmia cardíaca, hipóxia, doenças pulmonares, envenenamentos.

 

Icterícia (amarelada)

 

Doença hepática (fígado)

Hiperemia (avermelhada)

Hipertensão, insolação, alergias, diabetes, choque anafilático.

 

Verificar a presença de hemorragias que ameacem a vida
 
1. Visualizar a parte anterior do corpo da vítima;
2. Apalpar a parte posterior do corpo da vítima;
3. Dispensar atenção inicialmente às hemorragias intensas, direcionando o exame da cabeça em direção aos pés;
4. Procurar por poças e manchas de sangue nas vestes.
 
 
ATENÇÃO
 
· Roupas grossas de inverno podem absorver grande quantidade de sangue, assim como pisos porosos, tais como terra, areia e grama onde o sangue pode ser facilmente absorvido.
· Iluminar locais escuros.
· Expor as vestes (EVITAR EXCESSO)
 
(D) Realizar exame neurológico sucinto
AVDI
Normalmente, uma pessoa está alerta, orientada e responde aos estímulos verbais e físicos. Quaisquer alterações deste estado podem ser indicativas de doença ou trauma.
O estado de consciência é provavelmente o sinal isolado mais seguro na avaliação do sistema nervoso de uma pessoa. Uma vítima poderá apresentar desde leve confusão mental por embriaguez, até coma profundo, como resultado de uma lesão craniana ou envenenamento.Serve para indicar se há ou não comprometimento neurológico (como se fosse uma Escala de Coma de Glasgow simplificada) e fornecer parâmetros para o socorrista definir a gravidade do caso.
 
· Alerta: está orientado no tempo, espaço e contexto > fornece informações corretas relativos à data e dia da semana, sabe o próprio nome, indica para onde se dirigia no momento do acidente, está ciente de que está envolvido em um acidente ou que apresenta um problema de saúde;
· Verbal: responde somente quando estimulado > abre os olhos quando o socorrista determina, mesmo que torne a fechá-lo novamente; aperta a mão do socorrista quando ordenado;
· Doloroso: somente responde ao estímulo doloroso > quando estimulado através de fricção no esterno apresenta respostas motoras que indicam o grau de comprometimento neurológico, em geral está inconsciente ou incapaz de se comunicar com o socorrista;
 
· Irresponsivo: não apresenta nenhum tipo de resposta, mesmo sendo estimulado através de ordens verbais ou dor. Apresenta um nível de consciência rebaixado indicando lesão cerebral grave.

 

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